Governo sob pressão: recuo no Pix expõe crise e desgaste político de Haddad
O governo federal recuou em uma medida polêmica sobre o monitoramento de transações financeiras pelo Pix, anunciando a revogação da norma da Receita Federal e a criação de uma medida provisória para proibir taxações sobre o sistema de pagamento. A decisão foi oficializada após forte repercussão negativa, acusações de fake news e pressão popular.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a revogação da instrução normativa foi motivada por distorções e golpes que exploraram o tema para espalhar pânico. “Pessoas inescrupulosas manipularam o ato normativo, causando pânico e prejudicando milhões de brasileiros”, declarou Haddad, garantindo que a Receita Federal, em parceria com a Polícia Federal e a AGU, investigará os responsáveis por essas ações fraudulentas.
A instrução da Receita exigia que instituições financeiras monitorassem movimentações mensais acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para jurídicas, prática já comum em outras formas de pagamento, como cartões de crédito. A oposição, entretanto, criticou a medida, alegando que ela representava um ataque à classe média e trabalhadores informais.
Movimentação da Direita
Parlamentares da direita celebraram a revogação, com lideranças como Carla Zambelli e Kim Kataguiri classificando a decisão como uma “vitória da pressão popular”. Em resposta, Haddad enfatizou que “não houve intenção de taxar o Pix” e que a MP reforçará os princípios de gratuidade e sigilo do sistema de pagamento, além de garantir equidade entre transações em dinheiro e Pix.
A polêmica evidenciou divisões políticas, campanhas de desinformação e a vulnerabilidade do governo diante de temas sensíveis à população, como o uso do Pix, essencial para milhões de brasileiros.