Operação Mateus 7:15: Líder religioso é preso em Manaus por aliciamento de adolescentes e posse de conteúdo ilegal
Investigado usava posição de confiança em igreja para se aproximar de menores; polícia destaca colaboração da instituição nas apurações
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), deflagrou na segunda-feira (31/03) a Operação Mateus 7:15, com o objetivo de cumprir mandado de prisão preventiva e busca e apreensão contra um líder religioso de 38 anos, investigado por aliciar adolescentes com idades entre 12 e 14 anos. Durante a ação, ele também foi autuado em flagrante por armazenar conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adolescentes.
A apresentação do caso foi feita na Delegacia Geral, zona centro-oeste de Manaus. O delegado-geral adjunto, Guilherme Torres, explicou que o suspeito mantinha uma imagem pública irrepreensível e usava a função religiosa para se aproximar das vítimas. Segundo ele, a colaboração da igreja foi essencial para o avanço da investigação, e o caso não representa a conduta da comunidade evangélica.
Torres destacou que, muitas vezes, os abusadores estão dentro do círculo de confiança das vítimas, como amigos ou membros da família. O suspeito, embora parecesse acima de qualquer suspeita, estava envolvido em crimes graves que incluíam o consumo e a disseminação de material ilegal envolvendo menores.
A investigação começou após uma mãe encontrar mensagens de teor sexual no celular do filho. A denúncia levou a equipe da Depca a aprofundar o caso e culminar na operação, cujo nome faz referência a uma passagem bíblica sobre falsos profetas. Durante a ação, realizada no bairro da Paz, foram apreendidos dois celulares, livros didáticos e uma agenda.
Segundo a delegada Juliana Tuma, titular da Depca, os aparelhos continham arquivos com material impróprio e indícios de comercialização. A investigação também revelou que o suspeito marcou encontros com algumas das vítimas, chegando a pagar transporte para que um adolescente comparecesse. Em outro caso, adolescentes eram aliciados com presentes e transferências via PIX em troca de indicar mais vítimas.
O homem foi indiciado por favorecimento à prostituição, aliciamento de menores e posse de material pornográfico infantil. Ele segue à disposição da Justiça e será submetido à audiência de custódia.

