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Ucrânia desmonta drone russo e revela chip avançado da Nvidia usado em ataques

A Agência de Inteligência de Defesa da Ucrânia (GUR) anunciou que desmontou um drone kamikaze russo e descobriu em seu interior um chip avançado de inteligência artificial fabricado pela americana Nvidia. O equipamento, apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos desde 2022, vem sendo utilizado pela Rússia para ampliar a letalidade de suas aeronaves não tripuladas.

O processador encontrado pertence à série Jetson Orin, capaz de realizar até 67 trilhões de operações por segundo em um dispositivo do tamanho da palma da mão. A análise foi feita após a recuperação de um drone abatido em território ucraniano. Segundo os militares, a presença da peça confirma suspeitas de que Moscou esteja utilizando tecnologia de ponta para driblar os sistemas de defesa aérea do país.

De acordo com a GUR, os drones equipados com o chip da Nvidia conseguem operar de forma autônoma, identificar e selecionar alvos sozinhos, reconhecer objetos, processar imagens térmicas e analisar dados de telemetria em tempo real. Além disso, tornam-se imunes a interferências de rádio, dificultando a atuação da guerra eletrônica adversária. “Este é um predador digital. Ele não carrega coordenadas, ele pensa”, afirmou o major-general ucraniano Vladyslav Klochkov em publicação no LinkedIn.

A desmontagem também revelou outros componentes sofisticados, como módulo GPS Nasir resistente a falsificações, chips FPGA para lógica adaptativa, modem de rádio para coordenação em enxames, sensor de luz da Sony, adaptador Intel Wireless AC 8265 e um microcontrolador suíço de 32 bits. Em outro modelo analisado, técnicos identificaram peças de origem chinesa, entre elas motor, controlador de velocidade, bateria e detonador. Essa versão utilizava ainda o minicomputador Leetop A203, também baseado no Jetson Orin, como processador central.

O uso de tecnologia americana em drones russos chama a atenção porque, desde o início da guerra, a venda desses semicondutores foi proibida por Washington. Investigações apontam que o Kremlin estaria adquirindo os chips por meio de contrabandistas, que os fazem chegar em pequenas remessas disfarçadas de eletrônicos de consumo. As rotas passariam por Hong Kong, Cingapura, China e Turquia. Dados de inteligência revelam que a Rússia comprou mais de US$ 17 milhões, cerca de R$ 91,9 milhões, em produtos da Nvidia somente em 2023, por meio do chamado “mercado cinza”.

Em resposta, a Nvidia afirmou que a linha Jetson Orin foi desenvolvida para estudantes, startups e desenvolvedores, e não para aplicações militares. A empresa confirmou que não comercializa seus produtos diretamente na Rússia e destacou que pode suspender o fornecimento de distribuidores que sejam flagrados burlando as sanções internacionais.

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