“Mina de ouro imobiliária”: Israel negocia futuro de Gaza com os Estados Unidos
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, declarou nesta quarta-feira (17) que a Faixa de Gaza representa uma “mina de ouro imobiliária” e que já iniciou negociações com os Estados Unidos sobre como dividir o território após o fim da guerra. Segundo ele, a destruição causada pela ofensiva militar seria a “primeira etapa” de um processo de reconstrução, transformando a área devastada em investimentos.
Durante uma conferência em Tel Aviv, Smotrich afirmou que existe um “plano de negócios” elaborado por especialistas e que está sob avaliação do presidente norte-americano Donald Trump. O ministro ressaltou que Israel “pagou muito por esta guerra” e defendeu que a retomada da região poderá gerar lucros e oportunidades. “Já começamos a discutir com os americanos como dividir a terra em porcentagens. A demolição foi feita, agora é hora de construir”, disse.
As falas ocorrem em meio à intensificação da ofensiva israelense em Gaza, iniciada após os ataques do Hamas em outubro de 2023, que deixaram 1,2 mil mortos em Israel e resultaram em mais de 200 reféns. Em resposta, a contra-ofensiva israelense já matou mais de 40 mil pessoas no enclave palestino, segundo estimativas, e devastou grande parte da infraestrutura local.
Enquanto isso, a União Europeia mantém posição contrária à de Israel. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, voltou a defender a solução de dois Estados e pediu um cessar-fogo imediato, além de acesso irrestrito à ajuda humanitária. “Os eventos horríveis que ocorrem diariamente em Gaza devem acabar”, declarou.
Nos últimos dias, imagens da região mostram prédios demolidos e milhares de civis tentando fugir diante do avanço das tropas israelenses. Em paralelo, os EUA já indicaram interesse direto na reconstrução: em fevereiro, Donald Trump afirmou que Washington assumiria parte do controle de Gaza para remover destroços, eliminar bombas não detonadas e promover desenvolvimento econômico. Na ocasião, o republicano chegou a dizer que o enclave poderia se tornar a “Riviera do Oriente Médio”.
