PCC ordenou execução de ex-delegado-geral Ruy Ferraz em reunião de 2019
Documentos e investigações apontam que ordem partiu de Marcola e foi articulada pela chamada “Sintonia dos 14”
O assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, executado na última segunda-feira (15/9) no litoral paulista, teria ligação direta com uma reunião realizada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em 2019, na zona leste da capital. De acordo com as investigações, a ordem para a execução foi dada por Marcola, líder máximo da facção, e repassada por integrantes da chamada Sintonia dos 14, núcleo responsável por deliberar sobre ataques a autoridades.
Ruy Ferraz era considerado inimigo histórico do PCC, após atuar na transferência da cúpula da facção para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e para presídios federais. Desde então, era jurado de morte. O “salve” encontrado pela polícia detalhava os alvos e os responsáveis pela execução, incluindo o ex-delegado-geral.
Na segunda-feira, Ferraz foi perseguido e atingido por dezenas de disparos em Praia Grande, após ter o carro alvejado e capotado. Testemunhas relataram que os criminosos usavam fuzis, pistolas e coletes balísticos. O veículo usado na ação foi incendiado e abandonado, e outro automóvel foi encontrado pouco depois, reforçando a ação planejada e organizada.
O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) investiga a relação entre o crime e o plano de 2019, além de possíveis motivações ligadas ao trabalho mais recente de Ferraz como secretário de Administração de Praia Grande. Até o momento, dois suspeitos foram identificados, mas ninguém foi preso.
A morte de Ruy Ferraz, de 64 anos, gerou forte comoção entre colegas da Polícia Civil. Ele atuou por 40 anos na corporação e foi velado nesta terça-feira (16/9) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), sendo sepultado no Cemitério da Paz, no Morumbi.
