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Mais de 1,6 milhão de crianças ainda têm a infância roubada pelo trabalho no Brasil

IBGE aponta aumento em relação a 2023, com maior concentração entre jovens de 16 e 17 anos; maioria é preta ou parda e do sexo masculino

O Brasil registrou, em 2024, cerca de 1,650 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil, o que representa 4,3% da população nessa faixa etária. O número significa 34 mil jovens a mais em relação a 2023, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quinta-feira (19).

Apesar da alta em comparação ao ano anterior, a pesquisa mostra que, entre 2016 e 2024, houve uma queda acumulada de 21,4% no total de trabalhadores infantis. Ainda assim, os dados revelam desigualdades importantes.

A maior concentração está entre adolescentes de 16 e 17 anos, faixa em que 15,3% estão em situação de trabalho infantil. Quase metade deles trabalha mais de 25 horas por semana, e 30% chegam a cumprir jornadas de 40 horas ou mais. A escolarização também sofre impacto: enquanto 90,5% dos adolescentes dessa idade frequentam a escola, entre os que trabalham a frequência cai para 81,8%.

O levantamento aponta ainda que 66% das crianças e adolescentes em trabalho infantil são pretos ou pardos, e a maioria é do sexo masculino (66%). O rendimento médio mensal nessa condição foi de apenas R$ 789, valor inferior ao recebido por jovens que não trabalham.

Regionalmente, as maiores altas foram registradas no Nordeste (7,3%) e no Sul (13,6%), enquanto o Norte apresentou queda de 12,1%, embora ainda tenha a maior proporção de trabalhadores infantis do país (6,2%).

Outro dado em destaque é a redução das chamadas piores formas de trabalho infantil, que atingiram 560 mil pessoas em 2024 – o menor número da série histórica iniciada em 2016.

Segundo o IBGE, a tendência ainda precisa ser acompanhada. “É cedo para afirmar se houve reversão da queda ou apenas uma oscilação momentânea”, afirmou o analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto.

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