Caso de estuprador reincidente que matou enteada de 14 anos expõe falhas graves da Justiça e gera comoção nacional
O assassinato da adolescente Esther, de 14 anos, no Distrito Federal, provocou forte repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a atuação do sistema de Justiça diante de criminosos reincidentes em crimes sexuais. O autor do crime, Marlon Carvalhedo da Rocha, companheiro da mãe da vítima, acumulava uma extensa ficha criminal e estava em liberdade por decisão judicial, mesmo após sucessivas condenações e registros de reincidência.
Levantamentos apontam que Marlon foi condenado em 2019 a oito anos de prisão por estupro de vulnerável, crime cometido contra uma criança de 11 anos. Embora a legislação permitisse pena mais severa, a Justiça aplicou a punição mínima. Em 2023, ele recebeu o benefício da saída temporária e não retornou ao sistema prisional. Durante o período em que permaneceu fora da prisão, voltou a cometer violência sexual, sendo acusado de estuprar a própria mãe, o que resultou em nova prisão.
Apesar do histórico grave, em fevereiro do ano seguinte uma decisão judicial autorizou que ele cumprisse pena em regime domiciliar. Na justificativa, foi apontado que o condenado já teria direito ao regime aberto e que o Distrito Federal não dispõe de casa de albergado, estrutura destinada a presos desse regime. Com isso, mesmo após reincidir em crimes sexuais, acumular passagens por roubo, fuga da polícia e descumprir medidas judiciais, Marlon voltou a conviver em sociedade.
No último domingo, ele matou a enteada dentro do apartamento onde viviam havia cerca de seis meses. Após o crime, fugiu do local levando objetos pessoais, mas foi localizado e preso pouco tempo depois. Em entrevista após a captura, afirmou estar arrependido, negou uso de drogas no momento da prisão e disse não ter interesse sexual na vítima — declarações que contrastam com o histórico criminal reunido pelas autoridades.
O caso gerou indignação em todo o país, especialmente entre movimentos de defesa das mulheres, que apontam a sucessão de decisões judiciais brandas como fator determinante para o desfecho trágico. Para especialistas e ativistas, o assassinato da adolescente expõe falhas estruturais na execução penal e levanta questionamentos urgentes sobre a concessão de benefícios a condenados por crimes sexuais reincidentes.
