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Pesquisa mostra apoio crescente à anistia de golpistas e preocupa líder do PT

Lindbergh Farias critica proposta e alerta para risco de crise institucional entre Câmara e Judiciário

Quarta-feira (27), dados divulgados pelo Estadão que mostram um avanço expressivo no apoio parlamentar à propostaque mostram um avanço expressivo no apoio parlamentar à proposta de anistia aos deputados nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Segundo a pesquisa do jornal, 190 deputados já declararam apoio à medida, enquanto 126 se posicionaram contra. Outros 104 não responderam, e 93 ainda não manifestaram preferiram posição.

O levantamento, batizado de Placar da Anistia , tem preocupado a liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara. O deputado Lindbergh Farias (RJ), líder da sigla na Casa, classificou os dados como “muito preocupantes” e antecipou que faria um discurso duro contra a proposta, afirmando que apoiar a anistia é “cometer crime”.

Segundo ele, a iniciativa interfere diretamente nas investigações e no julgamento de crimes contra a democracia. “Uma pessoa que defende uma anistia está, na prática, tentando anular processos judiciais. Isso pode ser considerado crime passível de prisão preventiva”, disse o parlamentar.

A proposta, relatada pelo deputado Rodrigo Valadares (União-SE), é ampla e visa anistiar não apenas os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, mas também participantes de eventos anteriores e posteriores relacionados. O texto, segundo o Estadão , pode beneficiar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, que virou réu no STF por tentativa de golpe de Estado.

A expectativa é de que uma proposta entre no centro de discussão na Câmara a partir da próxima semana. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), já informou que, se a matéria não for pautada até 8 de abril, o partido adotará uma estratégia de implantação para travar as votações na Casa.

Lindbergh alerta ainda que a aprovação da urgência da proposta pode gerar uma crise com o Supremo Tribunal Federal. “Se avançamos com essa matéria, criamos um debate institucional grave. O presidente da Câmara quer isso?”, questionou, em referência a Hugo Motta (Republicanos-PB), que deve se reunir com líderes para tratar do tema.

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