Val Kilmer, estrela de Hollywood e eterno Batman, morre aos 65 anos
Ator teve carreira marcada por papéis icônicos, personalidade enigmática e longos afastamentos da mídia
Val Kilmer, renomado ator norte-americano conhecido por interpretar figuras marcantes como Jim Morrison e Batman, faleceu na última terça-feira (1º), em Los Angeles, aos 65 anos. A causa da morte foi pneumonia, conforme informou sua filha, Mercedes Kilmer. O ator havia sido diagnosticado com câncer de garganta em 2014, mas superou a doença nos anos seguintes.
Dono de um carisma singular e aparência digna de estrela do rock, Kilmer destacou-se por sua versatilidade nos cinemas. Estreou em 1984 na comédia “Top Secret!” e chamou a atenção de Hollywood com sua interpretação intensa de Jim Morrison no filme “The Doors” (1991), dirigido por Oliver Stone. Em 1995, assumiu o papel de Batman em “Batman Forever”, contracenando com grandes nomes como Jim Carrey e Tommy Lee Jones, mas o filme dividiu opiniões e não se tornou um marco da franquia.

Val Kilmer como o cantor de rock Jim Morrison no filme de 1991 “The Doors”.Crédito…Sidney Baldwin/TriStar Pictures
O ator também brilhou como o icônico Doc Holliday em “Tombstone” (1993) e marcou presença em clássicos como “Heat” (1995), ao lado de Al Pacino e Robert De Niro, e “The Ghost and the Darkness” (1996). Em “Top Gun” (1986), foi o rival de Tom Cruise e reapareceu discretamente na sequência de 2022, “Top Gun: Maverick”.

Apesar do sucesso, Val Kilmer ficou conhecido nos bastidores como imprevisível e, por vezes, difícil de lidar. Críticas e reportagens o apontavam como temperamental, o que contribuiu para sua decisão de se afastar de Hollywood por mais de uma década. Em 2005, dividiu cenas com Robert Downey Jr. em “Kiss Kiss Bang Bang”, com quem desenvolveu uma amizade apesar das diferenças iniciais.

Nascido em 31 de dezembro de 1959, em Los Angeles, Kilmer estudou na prestigiada Juilliard School e acumulou experiências no teatro antes de conquistar o cinema. A perda de seu irmão Wesley, em 1977, o marcou profundamente, influenciando sua atuação em filmes mais densos como “The Salton Sea” (2002), onde interpretou um homem dilacerado pela culpa.

Foi casado com a atriz Joanne Whalley, com quem teve dois filhos, Mercedes e Jack. Nos últimos anos, Kilmer morava em um rancho no Novo México e chegou a considerar uma carreira política. Em 2021, foi homenageado com o documentário “Val”, que trouxe à tona registros pessoais e reflexões sobre sua trajetória. O filme foi aclamado pela crítica e recebeu prêmios como o Critics Choice Award de melhor documentário biográfico.

Devoto da Ciência Cristã, Kilmer também se dedicou à obra de Mark Twain. Criou e estrelou a peça solo “Citizen Twain” e planejava dirigir um longa-metragem sobre o autor e Mary Baker Eddy, fundadora da religião que seguia.
Apesar dos altos e baixos, Val Kilmer deixa um legado duradouro no cinema, lembrado por seu talento inquestionável, escolhas ousadas e um misto de mistério e magnetismo que fascinou gerações.