Decisão de Moraes Restaura IOF e Impõe Derrota ao Congresso Nacional
Em um embate que evidencia o tensionamento entre os poderes da República, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu restaurar o decreto presidencial que aumentava as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), mesmo após sua derrubada pelo Congresso Nacional. A decisão foi vista como uma vitória do Palácio do Planalto e expôs a fragilidade do Legislativo frente ao avanço do Judiciário sobre pautas de impacto fiscal.
A medida, que volta a vigorar com efeitos retroativos — exceto na cobrança sobre o chamado “risco sacado” —, gerou fortes reações políticas. O “risco sacado” é uma operação comum no meio empresarial, na qual uma empresa antecipa seus recebíveis com uma instituição financeira, transferindo o risco de inadimplência ao devedor original. Embora amplamente utilizada como mecanismo de fomento ao crédito produtivo, o Supremo entendeu que essa modalidade não configura tecnicamente uma operação de crédito direto e, por isso, não deve ser tributada com IOF, como previa o decreto original.
A decisão de Moraes provocou críticas incisivas no Senado. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) afirmou que “mais uma vez, a vontade popular é atropelada” e classificou o aumento do IOF como reflexo de um “desespero arrecadatório do desgoverno Lula”. Já o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) disse que “não há imposto sem representação”, princípio básico do direito constitucional, e acusou o STF de ativismo judicial ao criar ou aumentar tributos indiretamente. Para ele, a decisão representa mais um ônus imposto ao contribuinte para atender a um governo perdulário.
A medida reacende o debate sobre os limites constitucionais de atuação do Supremo em matérias econômicas e fiscais, e reforça a crescente judicialização da política tributária no Brasil, onde decisões parlamentares vêm sendo revistas por interpretações da mais alta corte.

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