Um amplo levantamento sobre mortes violentas no Brasil em 2025, divulgado pelo Poder360 com base em dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, revela que o Nordeste concentrou 53 das 100 cidades mais violentas do país, mantendo o mesmo patamar registrado em 2022. Apesar do cenário preocupante em parte do território nacional, o estudo destaca avanços significativos no Amazonas, especialmente na capital Manaus, que apresentou a maior redução proporcional de mortes violentas entre todas as capitais brasileiras.
De acordo com os dados consolidados, o Brasil registrou 34.086 mortes violentas em 2025, considerando homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. O número confirma a tendência de queda iniciada em 2021 e representa uma redução de 43,5% em relação ao pico histórico de 2017, quando o país ultrapassou a marca de 60 mil assassinatos. Ainda assim, os indicadores mostram que a melhora não ocorre de forma homogênea entre as regiões.

O Nordeste segue como a região com os piores índices de violência letal, com taxa de 26,9 mortes por 100 mil habitantes, a mais alta do país. Na sequência aparecem as regiões Norte (20,4), Centro-Oeste (12,8), Sudeste (10,8) e Sul (9,8). Estados como Ceará, Pernambuco e Alagoas lideram o ranking nacional de mortes violentas por unidade da federação, cenário atribuído, segundo o levantamento, a conflitos entre facções criminosas e à pressão sobre os sistemas de segurança pública.
No recorte ideológico apresentado pelo estudo, que classifica os governos estaduais com base em apoios políticos nas eleições de 2022 e posições históricas, 8 dos 10 estados com maior número de mortes violentas são governados por gestores alinhados à esquerda, enquanto estados sob governos de centro e direita apresentaram médias menores. O levantamento, no entanto, ressalta que a violência é um fenômeno complexo e multifatorial, não podendo ser explicado por um único fator político.

Amazonas e Manaus: destaque positivo no cenário nacional
Na contramão dos estados com pior desempenho, o Amazonas aparece como um dos principais destaques positivos do país. Entre 2022 e 2025, Manaus registrou uma queda de 62,2% nas mortes violentas, a maior redução proporcional entre todas as capitais brasileiras. O índice coloca a capital amazonense à frente de cidades como Vitória (ES), com redução de 52,6%, e Aracaju (SE), com queda de 48,5%.
Em números absolutos, Manaus passou de 1.041 mortes violentas em 2022 para 394 em 2025, reduzindo também de forma expressiva a taxa por 100 mil habitantes, que caiu de 45,2 para 17,1 no período analisado. O desempenho coloca a capital fora do grupo das capitais que registraram aumento da violência, como Cuiabá (MT), Rio de Janeiro (RJ), João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Luís (MA).
O levantamento mostra ainda que, enquanto algumas capitais do Norte e Nordeste continuam figurando entre as mais violentas do país, Manaus se consolida como um ponto fora da curva, apresentando melhora consistente nos indicadores de segurança pública. Especialistas apontam que a redução pode estar associada a ações integradas de segurança, reorganização do crime organizado e mudanças no padrão das disputas criminosas.

Metodologia e ressalvas
Os dados utilizados no levantamento foram compilados a partir de informações enviadas pelos estados ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O estudo não inclui mortes decorrentes de intervenções policiais, devido à ausência de estratificação por município, mas ressalta que a inclusão futura desses dados não deve alterar a leitura geral dos resultados.
Também foram considerados apenas municípios com mais de 100 mil habitantes, a fim de evitar distorções estatísticas em cidades de pequeno porte. Segundo o levantamento, ainda podem ocorrer ajustes pontuais nos números, uma vez que alguns estados, como São Paulo, não haviam enviado os dados completos referentes ao mês de dezembro de 2025 até o fechamento da análise.
Cenário nacional em transição
Apesar da queda geral das mortes violentas no país, o estudo reforça que a sensação de segurança ainda não é uniforme. Enquanto estados e capitais como o Amazonas e Manaus avançam de forma expressiva, outras regiões seguem enfrentando desafios estruturais, especialmente onde há maior disputa entre facções criminosas.
O cenário apresentado evidencia que, em 2025, o Amazonas se distancia dos estados com piores indicadores e passa a integrar o grupo de unidades da federação com desempenho positivo na redução da violência letal, consolidando Manaus como um dos principais exemplos de queda expressiva da criminalidade no Brasil.
