Michael Davis, sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC nos Estados Unidos e um dos produtores do filme Dark Horse, afirmou que somente entregará à Polícia Federal documentos da empresa armazenados no país mediante ordem da Justiça norte-americana.
A manifestação ocorreu após a PF solicitar informações contábeis, fiscais, bancárias, societárias e contratuais para rastrear a origem e o destino dos recursos usados na produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em mensagem encaminhada à produtora brasileira Karina Ferreira da Gama, Davis alegou que o compartilhamento dos dados precisa respeitar o devido processo legal dos Estados Unidos. Segundo ele, o pedido deverá ser realizado por canais diplomáticos e mecanismos formais de cooperação jurídica internacional, como carta rogatória ou solicitação de assistência judiciária mútua.
A produtora apresentou mais de 21 mil páginas referentes às atividades realizadas no Brasil, mas parte significativa dos gastos ocorreu nos Estados Unidos. Documentos indicam que aproximadamente R$ 54,3 milhões teriam sido destinados às etapas anteriores às filmagens no exterior, enquanto cerca de R$ 20,9 milhões teriam sido gastos na produção brasileira.
O financiamento de Dark Horse é investigado no contexto do caso Banco Master. A Polícia Federal procura esclarecer a origem, a movimentação e a destinação dos valores envolvidos. A defesa da produtora sustenta que os recursos utilizados no filme são privados.
A exigência apresentada por Davis não encerra a investigação. A PF ainda poderá buscar os documentos por meio dos instrumentos de cooperação existentes entre Brasil e Estados Unidos.
Fonte: Folha de S.Paulo e Correio Braziliense.
