Sem acordo, TST julga nesta segunda greve dos Correios

Com o propósito de definir a situação trabalhista da estatal, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julga, às 13h30 desta segunda-feira (21), o dissídio coletivo referente à greve dos empregados dos Correios. A paralisação nacional teve início no último dia 10 de setembro, após o impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho entre a direção da empresa e os trabalhadores, e busca uma solução definitiva no Judiciário.

A ação foi movida pela própria estatal no dia seguinte ao início do movimento, solicitando que a Justiça declare a abusividade do movimento e determine o retorno integral das atividades. Durante a sessão, os ministros devem avaliar a legalidade da paralisação e os pleitos da categoria, que tem no plano de saúde o seu principal entrave.

Atualmente, os Correios figuram como mantenedores do benefício, que atende mais de 170 mil pessoas entre ativos, aposentados e dependentes. A nova proposta da direção prevê a transição da estatal para a condição de patrocinadora, o que, segundo entidades como a Federação dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), resultará no repasse de riscos aos empregados e no aumento dos descontos em folha.

Apesar do avanço nas cláusulas econômicas e sociais, que preveem reajuste com base na inflação, a questão do benefício médico travou as negociações. O tema, inclusive, é desdobramento de uma disputa que se arrasta desde o fim de 2025, após decisão favorável aos empregados no TST. A direção recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu liminar em janeiro suspendendo quatro cláusulas contratuais. O julgamento do mérito na Corte Suprema também deve ocorrer nos próximos dias.

PLANO DE EMERGÊNCIA E QUADRO FINANCEIRO
Por determinação de liminar concedida pelo TST, os trabalhadores devem manter ao menos 80% do efetivo em funcionamento por unidade. A estatal informou que as agências seguem abertas mediante o remanejamento de funcionários administrativos para mutirões de entrega, embora clientes e microcomerciantes relatem atrasos na distribuição e falhas no rastreamento.

A paralisação ocorre em meio ao balanço do segundo trimestre, período em que os Correios registraram um prejuízo de R$ 2,4 bilhões. A situação levou a empresa a solicitar garantia ao Tesouro Nacional para a captação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões junto a instituições privadas, valor que se soma aos R$ 12 bilhões em créditos contratados no final de 2025 para financiar o plano de reestruturação — que inclui uma nova etapa do Plano de Demissão Voluntária (PDV).

A continuidade da greve e os desdobramentos operacionais dependerão do resultado da votação no TST e das assembleias que serão realizadas pelas lideranças sindicais após a sessão.

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