Deputada estadual registrou boletim de ocorrência e acionou a Justiça Eleitoral, o MP e o MPF após ser intimidada nos bastidores de um debate na capital amazonense.
A deputada estadual e candidata a vice-governadora Alessandra Campelo (PSD) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para denunciar que foi vítima de ameaça e intimidação nos bastidores de um debate eleitoral promovido pela TV Norte Amazonas. Segundo a parlamentar, o ex-candidato a deputado estadual Kidson Maia e o vereador Salazar dirigiram a ela o gesto de “degola” — passar a mão no pescoço — de forma repetida.
Durante o pronunciamento, Alessandra exibiu imagens de câmeras de segurança e vídeos que, segundo ela, desmentem a narrativa dos envolvidos de que o ato teria sido uma “brincadeira” ou “linguagem policial”.
“Não existe brincadeira. Marginal, quando diz que vai passar alguém, usa essa linguagem. Isso não é linguagem de policial, é linguagem de marginal”, declarou a parlamentar, que também afirmou ter sido alvo de novas provocações nas redes sociais após o episódio.
Encaminhamentos na Justiça
A deputada passou a tarde na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), onde registrou Boletim de Ocorrência por ameaça. Inicialmente levado à esfera comum, o caso foi remetido à Justiça Eleitoral por envolver o contexto da campanha.
Alessandra garantiu que apresentará representações formais ao Ministério Público estadual (MP-AM) e ao Ministério Público Federal (MPF), descartando qualquer possibilidade de recuo ou reconciliação.
“Não adianta mandar recado pelos outros dizendo que quer paz. Com bandido eu não faço acordo. Vou até o fim neste processo para que isso não se repita com nenhuma outra mulher”, afirmou.
Violência política em um estado sob alerta
O episódio ganha relevância diante dos índices crescentes de agressão contra a mulher no Amazonas. Dados do Painel de Indicadores Criminais da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) revelam que o estado registrou 21.007 ocorrências de violência doméstica apenas no primeiro semestre de 2026. A média é de 116 casos por dia, englobando crimes como ameaça, lesão corporal, injúria e perseguição (stalking).
Em âmbito nacional, o panorama também preocupa: a pesquisa DataSenado apontou que cerca de 3,7 milhões de brasileiras foram vítimas de violência doméstica ou familiar no último ano.
Para a parlamentar, a conduta dos envolvidos reflete a persistência da violência política de gênero no meio público.
“Eles querem me intimidar. Isso me abalou, sou um ser humano, mas não me intimidou: aumentou a minha coragem”, concluiu a deputada.
Se precisar de ajustes no tom, inclusão de espaço para o posicionamento dos citados (outro lado) ou adaptação para veiculação em rádio/TV, posso fazer as alterações!
