Quase 80% dos focos de fogo registrados no Amazonas na primeira quinzena de outubro ocorreram em imóveis rurais privados. Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), identificou 1.639 focos entre os dias 1º e 15, dos quais 79,1% estavam em propriedades com Cadastro Ambiental Rural (CAR).
As queimadas também dispararam após o primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro. Em 19 municípios das regiões Metropolitana e Central do estado, foram registrados 5.598 focos entre os dias 4 e 14, contra 149 no mesmo período de 2025, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
O aumento chamou a atenção de pesquisadores e autoridades porque foge do padrão observado em anos anteriores, quando os registros costumam diminuir no fim de setembro. A seca e a vegetação ressecada favorecem a propagação das chamas, mas há suspeitas de uso irregular e criminoso do fogo.
O presidente do Ibama, Jair Schmitt, informou que 19 pessoas foram autuadas na região próxima a Manaus, com R$ 2 milhões em multas e mais de 250 hectares embargados. As ações ocorreram principalmente em Autazes e Careiro da Várzea.
Desde 9 de setembro, o uso do fogo está proibido no Amazonas. Apesar das suspeitas, o aumento dos focos após a votação não comprova, por si só, uma relação direta com o período eleitoral. As autoridades investigam as circunstâncias dos incêndios e a possível ocorrência de ações criminosas.
