Apesar da redução ao longo dos anos, vários municípios da Amazônia ainda apresentam alta transmissão da doença
O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, divulgou no início deste mês um Boletim Epidemiológico sobre a malária na Amazônia. Segundo o relatório, a malária, causada por protozoários do gênero Plasmodium, é responsável por 99,98% dos casos registrados no Brasil, evidenciando o caráter endêmico da doença na região.
O boletim revela que, embora tenha ocorrido uma diminuição significativa nos casos de malária entre 2013 e 2016, os números voltaram a crescer em 2017, passando de cerca de 70 mil para mais de 189 mil registros. Entre 2018 e 2022, houve uma nova queda, mas em 2023 foi registrado um aumento de 8,8%, alcançando 139.884 casos.
A malária continua afetando, principalmente, as áreas indígenas, que concentraram 40% dos casos em 2023, seguidas por áreas rurais (33,4%) e garimpos (14,6%). Estados como Amazonas, Roraima e Pará lideram em número de transmissões, com destaque para o Amazonas, que responde por 41,9% dos casos registrados na Amazônia.
Entre os povos indígenas, o aumento de casos em 2023 foi significativo, especialmente no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, onde houve crescimento de 99,2% em relação a 2022. Em outras áreas como o DSEI Rio Tapajós, Vale do Javari e Parintins, a alta incidência também chamou atenção.
O perfil dos infectados mostra que crianças de até 9 anos são as mais impactadas, com mais de 32 mil casos registrados em 2023. No geral, a maioria dos casos ocorreu entre homens, especialmente na faixa etária de 20 a 29 anos, e a maioria dos infectados se autodeclara parda.
Apesar de avanços na redução da malária em áreas urbanas e assentamentos, a doença ainda representa um desafio em diversas localidades da Amazônia, influenciada por condições climáticas, atividades humanas e dificuldades na estruturação dos serviços de saúde.
