Israel Shalom estava disposto a tirar a própria vida na frente do filho, de 1 ano, enquanto mantinha a criança refém em uma casa em Manaus, nesta quarta-feira (14). A informação foi revelada pelo comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), major Szezypior Neto, que detalhou como a equipe conseguiu convencer o homem a se entregar.
Segundo o comandante, Israel estava em um quarto com o filho e uma faca. Para evitar uma tragédia, os policiais iniciaram uma negociação baseada em apelos à família, à fé e à responsabilidade paterna.
“A equipe de negociadores entrou na conversa, na negociação, sempre prezando com relação à vida, à vida da criança, ele como pai, a função dele como pai. Foi dessa forma que a gente conseguiu que ele se rendesse”, relatou Szezypior.
Durante a conversa, o homem demonstrou dificuldade em aceitar o fim do relacionamento com a ex-companheira, Larissa, de 20 anos, e perguntou por ela diversas vezes. Apesar da tensão, segundo o comandante, ele não ameaçou atacar o filho.
“Toda vez ele falava que amava o filho dele”, afirmou o major, destacando que o objetivo da equipe era preservar a vida dos dois.
Disparo foi usado como distração
De acordo com Szezypior, Israel apresentou momentos de exaltação durante a negociação, mas foi tranquilizado pelos policiais. Quando o homem já demonstrava disposição para se entregar, a equipe utilizou uma distração para concluir a abordagem.
O comandante afirmou que a retirada ocorreu sem confronto físico e que o suspeito seria encaminhado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) antes de ser levado à delegacia.
A operação contou com negociadores, equipe tática e atirador de precisão. “A missão nossa foi cumprida da melhor forma possível”, declarou.
Suspeito tinha medida protetiva
O comandante confirmou que Israel tinha passagem pela polícia e uma medida protetiva relacionada ao caso. Ele disse, porém, não ter informações sobre uma possível prisão do suspeito na véspera.
A ocorrência começou após Israel levar a ex-companheira e o filho à força para a própria residência, segundo relato de uma tia da jovem. A mulher conseguiu escapar, mas a criança permaneceu com o pai.
Ainda conforme a familiar, Larissa já havia sido vítima de agressões e ameaças e possuía medida protetiva contra o ex-companheiro. O casal estava separado havia cerca de três meses, e Israel não aceitava o fim da relação.
Questionado sobre o histórico de Israel, o major confirmou que a equipe levantou a existência de uma passagem policial e de uma medida protetiva relacionada ao caso. Ele, no entanto, afirmou não ter informações sobre uma possível prisão que deveria ter ocorrido na véspera.
A ocorrência chegou ao Bope após uma primeira equipe policial realizar o atendimento inicial e acionar os profissionais especializados em situações com reféns.
