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Ex-ministro do Lula denuncia PMs fardados por realizarem oração em praça pública”

O deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ), ex-ministro do Meio Ambiente, no governo do presidente Lula no segundo mandato, protocolou uma denúncia no Ministério Público do Rio de Janeiro contra a participação de policiais militares, fardados e em horário de serviço, em uma “preleção bíblica” realizada no Largo do Machado, Zona Sul da capital.

No ofício enviado ao procurador-geral de Justiça, Minc cita o artigo 19 da Constituição Federal, que proíbe a União, os Estados e os Municípios de estabelecer ou subvencionar cultos religiosos. Para o parlamentar, a prática caracteriza violação à laicidade do Estado e pode configurar um favorecimento institucional a determinada religião.

“Cada um tem liberdade religiosa. Terminou o serviço, pode ir para igreja, sinagoga ou centro de umbanda. Mas em horário de serviço não pode. Isso é caminho para a teocracia, quando se transforma dogma religioso em política de Estado”, declarou Minc.

O deputado também responsabilizou o comando da PM pelo episódio, afirmando que muitos agentes foram levados ao local por ordem superior. “Enquanto estavam sendo doutrinados com a Bíblia, bandidos estavam assaltando nas ruas. O comandante tem que responder por isso”, acrescentou.

Repercussão

A denúncia gerou forte reação nas redes sociais. Parlamentares religiosos, associações policiais e cidadãos que se identificam com a fé cristã criticaram a iniciativa, acusando o deputado de desrespeitar a liberdade religiosa. Já defensores da laicidade do Estado saíram em defesa de Minc, argumentando que instituições públicas devem se manter neutras em relação a credos.

O Ministério Público confirmou que abriu procedimento para investigar o caso e pode adotar medidas disciplinares contra os envolvidos.

O episódio reacendeu o debate sobre os limites entre a liberdade individual de crença e o dever de neutralidade do Estado em espaços institucionais.

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