Operação nacional mira Grupo Fit em esquema de fraude fiscal que pode ultrapassar R$ 26 bilhões
O Grupo Fit, conglomerado que atua há décadas no setor de combustíveis e controla a antiga refinaria Refit (ex-Refinaria de Manguinhos), tornou-se alvo de uma grande operação deflagrada na manhã desta quinta-feira, 27 de novembro, que apura um dos maiores esquemas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro já registrados no país. Ao todo, 190 pessoas e empresas ligadas ao grupo são alvos de mandados de busca e apreensão.
A ação é parte da Operação Poço de Lobato, que mobiliza simultaneamente agentes do Ministério Público, Receita Federal, Secretarias de Fazenda e forças policiais em pelo menos seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Distrito Federal.
Segundo as autoridades, o grupo é suspeito de movimentar uma engrenagem empresarial destinada à evasão fiscal em larga escala, com prejuízo estimado em R$ 26 bilhões aos cofres públicos ao longo de mais de uma década.
SUSPEITAS DE LONGA DATA

O conglomerado controlado pelo empresário e advogado Ricardo Magro, atualmente residente nos Estados Unidos, já vinha sendo investigado em diferentes frentes nas últimas décadas. A empresa figura entre as maiores devedoras de ICMS do Estado de São Paulo e reúne histórico de acusações que incluem sonegação, adulteração de combustíveis e violações ambientais.
As investigações apontam que o grupo estruturou uma complexa rede societária formada por distribuidoras, postos, empresas de fachada e fundos financeiros. Essa malha teria sido usada para criar operações fictícias, mascarar circulação de combustíveis e evitar o pagamento de impostos devidos.
COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA
De acordo com os investigadores, o grupo simulava operações interestaduais, manipulava notas fiscais e usava “laranjas” para dificultar o rastreamento financeiro das transações. A movimentação incluía o uso de holdings e offshores, o que ajudava a ocultar a origem dos valores e a impedir a cobrança de dívidas já reconhecidas pelo fisco.
Há indícios de que parte das empresas do grupo funcionava apenas como intermediárias sem estrutura real, existindo unicamente para gerar créditos tributários irregulares e permitir a circulação de combustível sem o pagamento correto de impostos.

AÇÃO JUDICIAL E BLOQUEIO DE BENS
Com a deflagração da nova fase da operação, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 8,9 bilhões em bens ligados ao grupo e a seus responsáveis. Outra frente da investigação solicitou a indisponibilidade de R$ 1,2 bilhão em ativos que integram o patrimônio das empresas envolvidas.
Os agentes também recolheram documentos, equipamentos e registros contábeis que devem aprofundar o rastreamento de transações financeiras consideradas suspeitas.
IMPACTO NO MERCADO DE COMBUSTÍVEIS
Especialistas avaliam que o caso expõe vulnerabilidades no sistema de arrecadação do setor de combustíveis, historicamente marcado por disputas tributárias e esquemas de sonegação. A fraude atribuída ao Grupo Fit teria desequilibrado o mercado ao permitir a venda de combustível a preços artificialmente baixos, prejudicando concorrentes que cumpriam suas obrigações fiscais.
Órgãos de fiscalização apontam que as práticas atribuídas ao grupo configuram concorrência desleal e comprometem a arrecadação de estados e municípios.
PRÓXIMOS PASSOS DA INVESTIGAÇÃO
A partir do material apreendido, equipes das receitas estaduais, MP e Receita Federal vão aprofundar a análise de contratos, fluxos financeiros, cadeia societária e operações comerciais atribuídas ao conglomerado. A expectativa é ampliar a identificação de empresas satélites que possam ter sido utilizadas para ocultar recursos.
A Operação Poço de Lobato permanece aberta e novas fases não estão descartadas.
