Amigo e ex-nora de Lula levaram ao Planalto empresário alvo da PF
Kalil Bittar e Carla Trindade teriam usado proximidade com o governo para favorecer a atuação de André Gonçalves Mariano junto a órgãos públicos em troca de dinheiro
Reportagem publicada no sábado (24) aponta que Kalil Bittar, amigo da família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Carla Ariane Trindade, ex-nora do chefe do Executivo, frequentaram o Palácio do Planalto em diversas ocasiões entre 2023 e 2025 enquanto recebiam repasses financeiros de um empresário interessado em abrir portas em Brasília. As visitas, segundo o levantamento, não constam nas agendas oficiais de autoridades do governo.
De acordo com a apuração, ao menos três das visitas têm ligação direta com o empresário André Gonçalves Mariano, dono da Life Educacional. Ele teria sido acompanhado por Kalil Bittar em reuniões com o então chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, em dezembro de 2023. A Polícia Federal identificou transferências financeiras que somam R$ 210 mil, realizadas entre 2022 e 2024, além de pagamentos pontuais feitos logo após visitas ao Planalto.
As investigações indicam que a facilitação de acesso ao governo federal teria sido remunerada, incluindo o custeio de viagens aéreas e repasses diretos de dinheiro. Dois dias após uma das visitas ao Planalto, André Mariano teria transferido R$ 30 mil para Kalil Bittar. Em novembro, tanto o empresário quanto Carla Trindade já haviam sido alvos da Operação Coffee Break, deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de corrupção, fraudes em licitações e intermediação ilegal de interesses junto ao Ministério da Educação.
Carla Trindade, identificada em investigações pelo codinome “Nora”, esteve no Planalto em ao menos duas ocasiões documentadas, inclusive acompanhando o empresário em voos pagos por ele. Em dezembro de 2024, ela voltou ao local acompanhada do então secretário de Educação de Hortolândia (SP), com passagens novamente vinculadas aos dados do empresário investigado.
No histórico de vínculos familiares, Kalil Bittar é irmão de Fernando Bittar, um dos proprietários do sítio em Atibaia que esteve no centro das investigações da Operação Lava Jato. À época, Lula chegou a ser condenado em primeira e segunda instâncias, em processos posteriormente anulados, relacionados a obras no imóvel atribuídas a vantagens indevidas.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que o recebimento de representantes do setor produtivo e da sociedade civil faz parte das atribuições institucionais do governo. As defesas de Kalil Bittar e Carla Trindade negam que as visitas ao Planalto tenham tido como objetivo a intermediação de interesses comerciais ou políticos, classificando os encontros como visitas de cortesia ou reuniões informais motivadas por relações pessoais.
O caso segue sob apuração da Polícia Federal, que investiga se houve tráfico de influência, corrupção e uso indevido de acesso a estruturas do governo federal para beneficiar interesses privados.
