Nepal enfrenta onda de violência após censura às redes sociais
O Nepal atravessa uma grave crise política e social marcada por protestos violentos, incêndios e ataques a autoridades, motivados por denúncias de corrupção, nepotismo e pelo estilo de vida luxuoso de membros do governo.
A situação se agravou após a decisão do governo de bloquear o acesso às redes sociais, medida que visava conter a crescente onda de críticas. A proibição, porém, teve efeito contrário: manifestações se espalharam pelo país, lideradas principalmente por jovens, resultando em confrontos com a polícia. Para tentar controlar a situação, o governo impôs toque de recolher e mobilizou militares, mas as medidas não impediram a escalada da violência.

Nos primeiros dias de protestos, pelo menos 19 pessoas morreram e outras 145 ficaram feridas. Entre os episódios mais graves, destacam-se o incêndio da Suprema Corte, a invasão e depredação do Parlamento, além da destruição do prédio da Kantipur Publications, a maior empresa de mídia do Nepal.
Autoridades e ex-líderes políticos também foram alvos. O ex-primeiro-ministro Sher Bahadur Deuba e sua esposa foram atacados em sua residência em Katmandu; a morte dela foi confirmada. Outro ex-premiê, Jhalanath Khanal, teve sua casa incendiada, e sua esposa morreu queimada. O Ministro das Relações Exteriores e outros dirigentes foram espancados em meio aos confrontos. O Ministro das Finanças, Paudel, chegou a ser lançado em um rio por manifestantes e fugiu em seguida. O chefe da polícia governamental foi morto.

Com a liberação das redes sociais após os episódios iniciais, mensagens de revolta viralizaram, reforçando o lema “ninguém está acima do povo”. A juventude, considerada protagonista dos protestos, passou a exigir o fim da corrupção e a responsabilização de lideranças políticas.
A violência atingiu também comunidades estrangeiras. Famílias indianas, sobretudo comerciantes, foram alvo de saques e tiveram casas, escritórios e até um shopping incendiados.
Diante do cenário, o exército assumiu o controle das ruas com veículos militares e forte aparato de segurança. Apesar disso, a instabilidade persiste, e a situação do país segue classificada como gravíssima, com instituições destruídas e a confiança da população no governo abalada por escândalos e pela repressão.
Fotos e vídeos: Redes Sociais
